Caso Davi: MP cita goleiro Bruno e diz que falta de corpo não impede condenação de ex-PMs

  • 05/05/2026
(Foto: Reprodução)
Quase 12 anos depois, militares acusados no desaparecimento de Davi da Silva são julgados O julgamento de quatro ex-policiais militares acusados de envolvimento no desaparecimento do adolescente Davi da Silva entrou no segundo dia nesta terça-feira (6), em Maceió. Durante a sessão, o Ministério Público de Alagoas (MP/AL) afirmou que a ausência de corpo não impede a condenação dos réus e citou o caso do goleiro Bruno Fernandes como exemplo. Davi da Silva tinha 17 anos quando desapareceu, no dia 25 de agosto de 2014, após ser abordado por policiais do Batalhão de Radiopatrulha da Polícia Militar, no Conjunto Cidade Sorriso I, no complexo do Benedito Bentes. Desde então, o jovem nunca mais foi visto e o corpo não foi encontrado. O caso envolve quatro policiais militares, três homens e uma mulher, que respondem em liberdade enquanto aguardam o julgamento. Eles são acusados de homicídio duplamente qualificado e ocultação de cadáver. Davi da Silva desapareceu em 2014 durante abordagem da PM no Benedito Bentes, em Maceió Arquivo pessoal A comparação com o caso do goleiro Bruno foi feita pelo promotor Thiago Riff ao rebater uma das principais teses da defesa. Segundo ele, a alegação de que não há materialidade do crime por falta de corpo será usada no julgamento, mas não se sustenta. “Quando não tem corpo, costumam afirmar que a pessoa está viva. Mas não sejamos ingênuos”, disse. “Essa será a tese da defesa: a de que não há corpo e, portanto, não há materialidade do crime. Mas já tivemos um caso semelhante, como o do goleiro Bruno Fernandes.” O promotor também afirmou que o Ministério Público não atua apenas para acusar e pode pedir absolvição quando não há provas. “O MP não é vilão. Já pedi absolvição, inclusive duas somente no mês passado. Aqui estamos julgando o crime, independentemente de antecedentes”, declarou. Durante a sustentação, Riff lembrou que uma das principais testemunhas do caso, Raniel, foi morta dias após prestar depoimento. “Não podemos ouvi-lo hoje. Ele voltou ao estado e três dias depois foi assassinado”, afirmou. A acusação destacou ainda que Raniel reconheceu quatro pessoas em um conjunto de 62 fotografias apresentadas durante a investigação. “Qual a probabilidade de alguém reconhecer quatro integrantes de uma mesma guarnição?”, questionou o promotor. Emoção da família O pai de Davi se emocionou durante o julgamento e precisou ser retirado do plenário, sendo atendido por uma equipe médica. A família acompanha o caso desde o desaparecimento do adolescente e também após a morte da mãe dele, Maria José, atingida por um tiro durante um atentado. A mãe de Davi, Maria José, que era feirante e acompanhou o caso desde o início, morreu em dezembro de 2025 sem ver o desfecho do processo. O julgamento chegou a ser marcado anteriormente para outubro de 2025, mas também foi adiado. “Infelizmente, Davi não vai aparecer pela porta. Dona Maria esperou muito por isso”, disse o promotor durante a fala. Maria José mostra cartaz feito por viznhos para procurar Davi da Silva Waldson Costa/G1 Acusação aponta contradições A promotora Lídia Malta afirmou que os jurados não estão julgando a Polícia Militar como instituição, mas a conduta dos acusados. “A polícia militar é motivo de orgulho, mas quem rasga o juramento e mata deve ser julgado”, disse. Ela também apontou contradições nos depoimentos dos réus e destacou que testemunhas demonstraram medo ao longo da investigação. Segundo a acusação, há divergências sobre trajetos e versões apresentadas pelos acusados, além de elementos técnicos que indicariam inconsistências. Na réplica, o Ministério Público voltou a afirmar que o julgamento trata de possíveis desvios de conduta. Durante a sessão, houve tentativas de intervenção da defesa, que foram contidas pelo juiz. “Isso aqui não é um circo”, afirmou o magistrado. O julgamento segue com a apresentação dos quesitos ao conselho de sentença. MP diz que ausência de corpo não impede condenação e cita caso de goleiro Bruno Reprodução

FONTE: https://g1.globo.com/al/alagoas/noticia/2026/05/05/caso-davi-mp-cita-goleiro-bruno-e-diz-que-falta-de-corpo-nao-impede-condenacao-de-ex-pms.ghtml


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